A Chapada Diamantina é conhecida no Brasil inteiro por suas trilhas inesquecíveis, como o Vale do Pati, e pelas cachoeiras que encantam viajantes do mundo todo. Porém, para além do turismo, existe uma Chapada pouco mostrada, produtiva e culturalmente rica. Nesta leitura, você vai descobrir como a região se destaca também na produção de vinhos de altitude, cafés especiais, agricultura de grande escala, produtos artesanais e tradições que moldam a identidade deste território único da Bahia.

Uma Chapada que vai além das trilhas e do ecoturismo

Quando falamos em Chapada Diamantina, é comum pensar imediatamente em aventura, natureza e trilhas icônicas. Mas pouco se fala sobre a força econômica e cultural que existe além do turismo tradicional. Nos municípios de Mucugê, Ibicoara, Piatã, Morro do Chapéu e Andaraí, a região mostra uma diversidade impressionante: vinícolas premiadas, cafés especiais reconhecidos internacionalmente, agricultura forte e comunidades que mantêm viva a história dos garimpeiros e agricultores que moldaram o território.

Vinícolas da Chapada Diamantina: o crescimento do vinho de altitude

Mucugê e Morro do Chapéu se destacam no enoturismo baiano

As vinícolas da Chapada Diamantina têm se tornado uma atração à parte. O clima frio, a altitude elevada e a grande amplitude térmica criam condições ideais para uvas de alta qualidade. Em Mucugê a Vinicola Uvva é um dos maiores símbolos do crescimento do vinho de altitude na Chapada Diamantina. Situada a mais de 1.200 metros de altitude e cercada pelas montanhas do Parque Nacional, a UVVA se destaca pela produção de rótulos sofisticados, resultado de um clima frio, solo fértil e técnicas modernas de viticultura. A vinícola oferece experiências completas, com visitas guiadas, degustações, restaurante e um cenário impressionante que une natureza, arquitetura e enoturismo, já em Morro do Chapéu, A Vinícola Vaz  é uma das pioneiras na produção de vinhos de altitude na Bahia. Localizada a mais de 1.200 metros de altitude, ela combina clima frio, noites frescas e solos ideais para o cultivo de uvas finas. A produção é artesanal, com forte tradição familiar e muita dedicação em cada etapa do processo. Os vinhos da Vaz chamam atenção pela qualidade, equilíbrio e identidade própria, refletindo o terroir único da Chapada Diamantina. A vinícola  também oferece visitas guiadas e degustações, tornando-se um passeio imperdível para quem deseja conhecer o lado enogastronômico de Morro do Chapéu.

há outras vinícolas que merecem destaque e reconhecimento como a  Sertania e Reconvexo 

A combinação entre enoturismo e natureza fortalece ainda mais a região, permitindo que o visitante viva experiências gastronômicas que fogem do roteiro tradicional da Chapada.

O café especial da Chapada Diamantina: um dos melhores do Brasil

Piatã, Mucugê e Ibicoara a produção de cafés premiados

O café especial da Chapada Diamantina já é reconhecido como um dos melhores do Brasil. Cidades como Piatã, Ibicoara e Mucugê se destacam em concursos nacionais e internacionais graças às condições naturais perfeitas: altitudes acima de 1.200 metros, clima frio, solos férteis e cultivo cuidadoso.

Os cafés da região têm notas florais e frutadas, acidez equilibrada e sabores complexos, um verdadeiro patrimônio sensorial da Bahia. Essa produção impulsiona pequenos produtores e integra a Chapada no circuito mundial dos cafés especiais. Um belo exemplo é o café Latitude & Altitude, produzido na Chapada Diamantina, representa o que há de melhor no cultivo de cafés especiais no Brasil. Plantado em altitudes superiores a 1.200 metros, em regiões como Piatã, Mucugê e Abaíra, o café ganha características únicas graças ao clima frio, às noites geladas e ao terroir rico da serra. O resultado é uma bebida de alta qualidade, com notas florais e frutadas, acidez equilibrada e aromas marcantes. Reconhecido em premiações nacionais e internacionais, o café Latitude & Altitude é um orgulho da Chapada e revela toda a excelência da produção local além do turismo.

 

Agricultura na Chapada Diamantina: força que movimenta o Nordeste

Enquanto o ecoturismo cresce, o setor agrícola segue sendo um dos pilares econômicos da região.

Mucugê e Ibicoara, centros do Agropolo da Chapada

O Agropolo de Mucugê e Ibicoara é responsável por uma grande parte da produção de hortaliças que chega às principais capitais do Nordeste. Nos campos que se estendem ao redor das serras, são cultivados principalmente batata e cebola.

Uma das maiores empresas da região é a Igarashii, uma das maiores referências em produção agrícola na Chapada Diamantina, especialmente nos municípios de Mucugê e Ibicoara, onde o clima ameno, a altitude e o solo fértil criam condições perfeitas para o cultivo de hortaliças de alta qualidade. A empresa se destaca na produção de batata, cenoura, cebola, tomate e outras culturas que abastecem mercados de todo o Brasil. Com tecnologia avançada, irrigação de precisão e práticas sustentáveis, a Igarashi movimenta a economia regional e gera milhares de empregos, fortalecendo ainda mais o potencial produtivo da Chapada além do turismo.

Essa produção abastece diversas cidades e garante emprego a milhares de trabalhadores. Poucos turistas imaginam que a salada que consomem em Salvador ou Aracaju pode ter vindo diretamente da Chapada.

História e cultura: herança dos garimpeiros, agricultores e comunidades tradicionais

A Chapada Diamantina carrega um legado histórico valioso. Durante o ciclo do diamante, no século XIX, cidades como Lençóis, Andaraí, Igatu e Mucugê foram centros importantes da mineração baiana. Esse passado pode ser visto nos casarões coloniais, ruas de pedra, museus, ruínas e no modo de vida das comunidades.

Além da história do garimpo, a região abriga comunidades rurais e quilombolas que mantêm viva a cultura local através da agricultura familiar, produção artesanal, saberes tradicionais, festas, culinária e preservação da natureza.

Uma Chapada que produz: mel, artesanato, queijos e produtos regionais

Além do café, das vinícolas e da agricultura de grande escala, a Chapada Diamantina também se destaca na produção de:

  • mel e própolis

  • queijos artesanais

  • geleias e compotas

  • pães caseiros

  • bananas passa

  • artesanato em cerâmica, tecido e madeira

  • produtos orgânicos

Esses produtos são vendidos nas feiras locais, pequenos mercados, cooperativas e também em restaurantes da região. É uma cadeia produtiva que sustenta muitas famílias e reforça a importância da agricultura familiar.

Um dos grandes exemplos disso é a Flor Nativa, uma associação local que beneficia o mel e se tornou referência quando o assunto é qualidade, credibilidade e sustentabilidade. A Flor Nativa representa perfeitamente como as comunidades da Chapada Diamantina podem crescer, se fortalecer e se expandir por meio do trabalho coletivo e do uso responsável dos recursos naturais.

Com dedicação, organização e respeito à natureza, a associação mostra que é possível gerar renda, preservar o meio ambiente e manter viva a tradição do mel artesanal da região. A Flor Nativa é, sem dúvida, um grande símbolo do potencial das comunidades locais.

Preservação, brigadistas voluntários e sustentabilidade

A Chapada também é referência em proteção ambiental, muito graças ao trabalho de brigadistas voluntários, moradores locais e grupos que atuam no combate a incêndios florestais e na conscientização ambiental. Como a Brigada Voluntária do Vale do Capão é uma das iniciativas comunitárias mais importantes da Chapada Diamantina. Formada por membros da Associação de Guias, a brigada atua no combate a incêndios florestais a mais de 25 anos, prevenção de queimadas e educação ambiental nas escolas. Seu trabalho é essencial para proteger as trilhas, nascentes, fauna e flora que fazem do Vale do Capão um dos lugares mais especiais da região.

Com coragem, organização e profundo amor pela natureza, os brigadistas voluntários se mobilizam sempre que necessário, garantindo segurança para a comunidade e preservação para as futuras gerações. A brigada é um verdadeiro símbolo de união, cuidado e responsabilidade ambiental.

Esse esforço coletivo ajuda a manter intactos os cânions, florestas, montanhas e cachoeiras que fazem da Chapada Diamantina um dos destinos mais impressionantes do Brasil, não apenas para o turismo, mas como patrimônio natural e cultural. Diamantina além do turismo é um território vivo

Conhecer a Chapada Diamantina além do turismo é entender que a região é um mosaico de história, agricultura, café especial, vinícolas, cultura e preservação. É um lugar onde o passado dos garimpeiros encontra a inovação do agronegócio, onde tradições rurais convivem com experiências turísticas, e onde cada cidade contribui com um pedaço essencial desse território tão diversificado.

A Chapada não é apenas um destino. É uma região viva, produtiva e cheia de história, e conhecer esse lado pouco explorado transforma completamente a forma como vemos esse pedaço único da Bahia. Assim nos da lhe convidamos a conhecer as belezas que tornam essa região tão incrível! 

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